Ato aconteceu nesta sexta-feira (4) em frente ao Consulado da Espanha. Com o rosto pintado, manifestantes seguravam cartazes contra o ex-jogador do Barcelona e da seleção brasileira de futebol. Protesto de mulheres em São Paulo contra a revogação da prisão de Daniel Alves na Espanha, em 04/04/2025.
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Um grupo de mulheres representantes de movimentos feministas e de movimentos sociais fez na manhã desta sexta-feira (4) um protesto em frente ao Consulado Geral da Espanha, no Jardim América, Zona Sul de São Paulo, contra a anulação da condenação do ex-jogador Daniel Alves por violência sexual.
O ato aconteceu na rua Canadá, onde fica o consulado. Com o rosto pintado, as manifestantes seguravam cartazes contra o ex-jogador do Barcelona e da seleção brasileira de futebol.
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Segundo as integrantes do protesto, o ato teve o objetivo de “denunciar a impunidade em casos de violência contra as mulheres e exigir justiça para a vítima”.
“A ação reforça a solidariedade internacional feminista e pressiona por uma revisão da decisão judicial, que é vista como um retrocesso na luta contra a violência de gênero. O silenciamento às vítimas, a cultura do estupro, a cumplicidade do Neymar que chegou a ajudar no pagamento da sentença de Daniel Alves foram pontos abordados”, disse o grupo em comunicado.
Após ser absolvido, Daniel Alves recuperou nesta mesma sexta os passaportes que estavam retidos e já pode voltar ao Brasil.
Protesto de mulheres em São Paulo contra a revogação da prisão de Daniel Alves na Espanha, em 04/04/2025.
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Absolvição na Espanha
O atleta brasileiro foi inocentado da acusação na sexta-feira passada (29) pelo Tribunal Superior de Justiça da Catalunha, onde era julgado por supostamente ter estuprado uma jovem em uma discoteca em Barcelona, na Espanha, em dezembro de 2022.
A vítima afirmou que foi estuprada por Alves dentro de um banheiro da área VIP do local. Exames de corpo de delito comprovaram a existência de sêmen na vagina da jovem, e funcionários da boate corroboraram a versão da vítima, argumentando que ela saiu do banheiro depois de Alves chorando e muito abalada.
O ex-jogador brasileiro confessou, depois de outras duas versões diferentes, que teve relação sexual com penetração com a vítima, mas alegou que houve consentimento da parte dela.
Por causa da investigação e julgamento do crime, Daniel Alves chegou a ficar 14 meses preso. Ele estava em liberdade provisória quando recebeu o direito de recorrer da sentença condenatória de 1° instância, onde foi punido com a 4 anos e seis meses de prisão pelo crime.
Na sentença de 2ª Instância, a Justiça anulou a condenação dele. Os juízes concluíram que o depoimento da jovem que acusava o ex-jogador era insuficiente para sustentar a condenação.
O ex-jogador brasileiro Daniel Alves, ao deixar a prisão de Brians 2, em Barcelona, em 25 de março de 2024.
Nacho Doce/ Reuters
Com isso, Alves fica automaticamente absolvido. A defesa da jovem informou que irá recorrer.
O brasileiro já estava em liberdade provisória desde março do ano passado, quando a Justiça catalã aceitou um recurso da defesa dele. Os juízes, no entanto, analisavam outro recurso apresentado pela Promotoria de Barcelona que pedia aumento de pena para Alves.
A decisão que anulou a condenação, diz a sentença, não significa que o tribunal esteja afirmando que a versão de Alves — de que não houve estupro e que ele teve uma relação sexual consentida com a vítima — seja a correta. Mas os juízes argumentam que, pelas inconsistências, também não podem aceitar a hipótese da acusação como provada.
Protesto de mulheres em São Paulo contra a revogação da prisão de Daniel Alves na Espanha, em 04/04/2025.
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